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TEATRO para BEBÊS
André D'Lucca e Liliana Rosa enviaram release sobre seu
trabalho pioneiro no Brasil em termos de Teatro para Bebês
de 6 meses a 5 anos, há meses em cartaz no
Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, aos sábados e domingos, às 15h.



Patrocínio
(por Jorge Lucas)
Jorge Lucas é ator, locutor e dublador e está há um ano e meio em cartaz e viajando com o espetáculo ‘Pão com mortadela’ com a direção de João Fonseca.




O que pode fazer um empresário interessar-se em patrocinar um espetáculo? Esta pergunta deve ser antecedida por uma outra colocação: vá entender a mente de um empresário!

Alguns reclamam que só chegam em suas mesas projetos de comédias tolas, fúteis, mais do que digestivas, que não podem ser associadas ao nome de sua marca, exatamente pelo tema bobo. Outros vociferam os projetos de muita profundidade, reflexões sobre a vida pós-moderna, discussões chatas e soníferas, que com certeza farão o público retirar-se do teatro antes dos primeiros quinze minutos de espetáculo, e que por esse mesmo motivo prejudicará a imagem da marca. E há ainda aqueles que primeiro lêem o elenco e então decidem se patrocinam ou não, sem nem ao menos  saber se é comédia, tragédia, drama, farsa. Deve-se constar que essa última categoria de empresário está cada vez mais em declínio, pois, além do dinheiro não estar fácil, percebeu-se ao longo das décadas que um espetáculo de sucesso independe muitas vezes de um elenco capa de revista ou página policial. É inegável a ajuda que tais características causam, porém a longevidade, o interesse, a saúde, o sucesso de uma produção cultural na área do teatro está cada vez mais de distanciando das faces cultuadas nos tablóides.

Os exemplos pululam de forma inegável e otimista. ‘Doutores da Alegria’, ‘Minha mãe é uma peça’, ‘Se os homens são de Marte é prá lá que eu vou’, ‘ A descoberta das Américas’, ‘A mulher que escreveu a Bíblia’, ‘Suburbanos’, ‘Pão com mortadela’, e tantos outros .

O que todos estes espetáculos têm em comum? O fato de terem começado do nada, com orçamento ínfimo, com atores e atrizes que até então não faziam parte do universo multi-mídia e que pelo misterioso charme que só o teatro tem, tornaram-se sucesso de público e crítica.

Esse misterioso charme tem alguns outros adjetivos: qualidade, talento, dedicação e respeito à profissão.

Entretanto , o que nos intriga é que alguns desses espetáculos não estão em cartaz nesse momento na cena brasileira por falta de patrocínio. O que nos leva à questão do interesse  empresarial.

Não se patrocina por que o espetáculo ainda está no projeto, no papel e se desconhece seu potencial de mercado? Ou não se patrocina por que o espetáculo já está há um tempo em cartaz,  é um sucesso de público e uma unanimidade de crítica e por isso receia-se que ninguém mais vá ver? Ou seja, não há dinheiro para os projetos que querem nascer e também não dinheiro para as produções que se ergueram sozinhas mas que com o passar do tempo necessitam de uma injeção de capital para continuarem sua carreira. O secular dilema do artista.  
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André D'Lucca e Liliana Rosa aoresentam o projeto “O Cirquinho de Luísa”
um espetáculo para bebês que estreou no Brasil em setembro de 2007, foi recebido com muito carinho e está sendo um sucesso desde a primeira temporada no Teatro Miguel Falabella – sala Atores de Laura. Neste Teatro, a grande procura gerou a venda de ingressos antecipada. No momento apresentamos “O Cirquinho de Luísa” no Teatro Cândido Mendes com lotação esgotada desde Janeiro de 2008, motivo pelo qual a temporada deste espetáculo foi prorrogada até ao final do ano de 2008. 
A encenação para bebês surgiu na Europa, nos anos 90, e atualmente é bastante difundida na França, Espanha, Itália e Bélgica. É de salientar que somos pioneiros nesta técnica teatral no Brasil.
Desde a estréia em Setembro de 2007, o espetáculo já foi visto por mais de 5.000 bebês. Tendo em conta que é um espetáculo intimista e comporta apenas um número restrito de espectadores, é um balanço muito positivo.
Nossos espetáculos têm sido excepcionalmente bem recebidos por pequenos e graúdos: Os mais pequeninos entendem pelo sensorial, os mais velhos pela historinha que é contada e os pais pelo subtexto e significado. Visto que o “neném” vem acompanhado por pais e familiares, nosso objetivo é que o espetáculo possa ser apreciado por eles também.
O Cirquinho de Luísa é um espetáculo para bebês que conta o ciclo da vida e o nascimento dos seres. O espetáculo estimula o sensorial das crianças de 6 meses a 6 anos de idade. Cada passagem teatral e cada momento da história são apresentados pela atriz através de um caminho poético, do real ao imaginário, do sugestivo ao pragmático e próximo da realidade do bebê.
Mais do que um espetáculo teatral, O Cirquinho de Luísa, é um projeto de aprendizagem e partilha, entre bebês e pais, um meio de introdução da criança no mundo da arte. A linguagem artística e teatral deve ser estimulada cada vez mais cedo e os pais também são convidados a descobrir este mundo mágico dos muito pequenos. Nesse sentido, é procurado um envolvimento que trace caminhos de estímulos e de entretenimento, em que se façam planos sensoriais e em que se criem percursos de aventura e experimentação durante os 30 minutos de espetáculo.

♦♦♦ LILIANA ROSA  
Atriz portuguesa licenciada em Estudos Teatrais e Bacharel em Formação de Ator pela Escola Superior de Artes do Espetáculo, Portugal. Iniciou a sua atividade teatral em 1993, desde então participou em inúmeros estágios de teatro a nível internacional com diversos mestres da arte cênica atual, entre eles Eugenio Barba, Roberta Carreri, Eimuntas Necrosius, Polina Klimovitskaia, Krystian Lupa, Michel Laubu, Julio Castronuovo, e outros. Profissional nas áreas da dramaturgia, direção teatral, cenografia e interpretação, atuou em 35 e dirigiu 7 espetáculos, dentre eles, a comédia “DivertidaMente” sucesso de crítica e bilheteria. Tem desenvolvido em Portugal e diversos países da Europa, espetáculos de teatro para a infância e juventude. Especializou-se na área técnica do teatro para bebês, trabalho pioneiro no Brasil.
 ♦♦♦ ANDRÉ D’LUCCA  
É ator, produtor, dramaturgo e artista plástico. Advogado formado pela Universidade de Cuiabá. Como dramaturgo escreveu dezesseis obras. Atuou em mais de vinte espetáculos, entre eles “DivertidaMente”, “Os Segredos de Almerinda” e “Pilar da Ponte de Tédio” que estiveram em temporada pela Europa. “Pilar da Ponte de Tédio” representou o Brasil em 2006 no Festival Internacional de Teatro do Alentejo em Portugal. Já gravou mais de 40 comercias para TV (Em 2007, o comercial do Detran que protagonizou foi premiado com o Grand Prix da Gazeta). Participou de três episódios do programa de humor "Sob nova direção" e um d’ “A Grande Família”, dois curtas e um longa-documentário. Recentemente atuou na novela “Sete Pecados” e no seriado “Guerra e Paz” na personagem Babalu. Dirigiu em Julho e Agosto de 2008 o seu primeiro Longa-Metragem “EFEITO SANFONA”,
filmado em película Super 16mm, em fase de montagem, tem estréia marcada no Festival de Brasília no final do ano.

Espaço Teatral Encontro Oportuno
(por Ricardo Moraes)

Ricardo Moraes é ator e diretor, graduado em Artes Cênicas, Comunicação Social e Pós- Graduando em Gestão da Cultura.
Contato: ricomoraes@gmail.com.
Os textos dessa coluna são reproduzidos na íntegra quanto ao conteúdo e forma gramatical,.



História Mundial do Teatro
Teatro Elisabetano

(4/setembro/2008)
Olá amigos, bom encontrá-los novamente, e desta vez para falarmos sobre o Teatro Elisabetano, ou Isabelino, como também era chamado. Chamava-se assim porque foi durante o reinado de Elizabeth I, igualmente chamada Isabel, que esse teatro se desenvolveu e atravessou o reinado de Jaime I, filho de Maria Stuart.   
    Faremos uma rápida passagem pela disputa político-religiosa entre católicos e anglicanos que se formava na Inglaterra no século XVI. Isso é muito importante para entendermos o Teatro Elisabetano.
    Elisabeth não era filha do primeiro casamento de Henrique VIII, portanto carregava em si o peso da infidelidade de sua mãe, e por isso era considerada pelos católicos ingleses uma bastarda. Os anglicanos temiam que a Inglaterra voltasse a obedecer a igreja através da coroação de Maria Stuart da Escócia, herdeira legítima do trono inglês. Eles realizaram um plano bem arquitetado para que Elisabeth subisse ao trono. Mas a verdadeira detentora do título de Rainha Elisabeth I, deveria ser defendida, não só com armas, mas também por uma ideologia que unificasse o povo inglês.
    Surge então uma concepção hierárquica, onde todos têm o seu lugar bem definido. Deus é o universo, sendo ele as ordens divinas. O rei é intocável, pois se for morto por um serviçal, o que seria do leão? Obviamente morto por um animal inferior. Qualquer outra pedra se tornaria mais valiosa que o diamante, e Deus seria destronado pelo demônio. A rebelião passa a ser então, dentro da Inglaterra, o mais horrível dos pecados, pois quem a fizesse estaria atentando contra a ordem divina.
     Bem, é nesse momento, que interagindo com essas idéias, o teatro inglês avança e passa a frente dos outros teatros da Europa. Os dramaturgos tornam-se protegidos da coroa inglesa. Abandonam os clássicos e dão ênfase à conturbada história da Inglaterra, mostrando em seus espetáculos o quanto os golpes de estado custam à nação. A Inglaterra passa a ser o foco das peças elisabetanas quando os autores afastam o tema histórico do conteúdo. Podemos ver a Inglaterra na Dinamarca de Hamlet e na Alemanha de Fausto, pois faziam uso dos emblemas e posteriormente das alegorias utilizando o Drama Barroco Alemão. Este que é fragmentado, e aonde o príncipe ou o Rei não consegue se decidir perante os seus conflitos, retratando bem a História. Esses dois fatores – emblema e alegoria - estavam presentes tanto no texto quanto no cenário, nos acessórios, como, por exemplo: a caveira, as indumentárias e todos os signos contidos na  concepção barroca do espetáculo. Mas quando o tema da peça não retratava o Estado, os escritores mantinham a preocupação com o equilíbrio social.  O Teatro Elisabetano não era direcionado para intelectuais, e sim ao homem do povo. O herói trágico do teatro grego transgride as leis impostas pelos deuses, enquanto o herói trágico elisabetano age por meio das conseqüências sofridas devido a infringir as leis da sociedade.
     A platéia era constituída de gente que gostava do teatro, pessoas muito diferentes que bradavam fortemente quando ação e palavra tornavam-se lentas demais, o que não agradava em nada. Os dramaturgos apoiavam-se nas tragédias de Sêneca devido sua violência e sangue, que chegavam mais perto do gosto popular.    
     A dramaturgia inglesa era imensa, não cabendo encená-la, se preciso fosse a luz do dia durante todo espetáculo. Não suportando também um único cenário. Entre os dramaturgos, cito a vocês Christopher Marlowe. Considerado um símbolo do Teatro Elisabetano, Marlowe exprimiu os impulsos românticos de sua época de uma forma direta e singular.          Ainda universitário, adentrou o mundo político e social da era elisabetana. O público pôde presenciar uma qualidade inédita de trabalho, onde paixão e ambição eram o mote principal. Esse autor mostrou o mundo magnificamente com muita emoção e magia. Sendo assim considerado o melhor dramaturgo dessa época.
     O grande período elisabetano, correspondente ao teatro, vai de 1576 até 1642, quando a revolução puritana, sob forte influência da Igreja Católica, ordenou que fechassem todos os teatros londrinos. Mesmo assim, o Teatro Elisabetano, fortificado por uma moral, sustentado pela coroa e recheado de bons escritores, não era igual, mas comparava-se ao Teatro Grego, e por isso foi, e ainda é considerado o “segundo grande momento” da História do Teatro Mundial
     Bem...caros colegas, espero encontra-los muito em breve. Um forte abraço a todos!

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TEATRO DE ARENA
Olá amigos, falaremos sobre o Teatro Arena, mas não desde seu início (1953) eu gostaria de começar o texto sobre esse teatro a partir de 1960, sua época mais significativa em meio ao teatro político.
Neste ano, 1960, o Arena encerra um tipo de trabalho: o reconhecimento das condições de vida da realidade cultural da população brasileira, e inicia outro. O foco direciona-se, na época, para as classes proletárias, começando a procurar, portanto, um tipo de linguagem não apenas esclarecedora, mas principalmente mobilizadora. A situação dramática do espetáculo passa a ser mais importante que as personagens. O Arena agora se mobiliza criando diversos grupos e atuando simultaneamente fora da grande cidade, devido seu público ter mudado durante essa reformulação. Agora se tratava de um público mais popular; antes era burguês, embora fizesse alusão à outra classe social.
Neste período as questões políticas tornaram-se predominantes. Todas as encenações falavam de uma transformação da sociedade, onde as classes trabalhadoras eram as responsáveis pela mudança. Para isso, os recursos artísticos não foram mudados, e sim apenas simplificados para um público popular.
O Arena deixou raízes, sua linguagem foi usada por muitas companhias profissionais e amadoras em diversas regiões por onde passou. Uma idéia e poucos recursos, objetos de cena sendo substituídos por um certo tipo de iluminação, utilização da música como narração e a caracterização social da personagem à frente da caracterização particular, tudo isso foi absorvido por outros grupos.
Um elenco de peso passou pelo Teatro Arena: Hugo Carvana, Flávio e Dirce Migliaccio, Nelson Xavier, Milton Gonçalves, Oduvaldo Viana Filho, GianFrancesco Guarnieri, Lima Duarte, e como diretores, José Renato e Augusto Boal.
Com a estréia em 22 de Janeiro de 1962, de Os Fuzis da Senhora Carrar, de Bertold Brecht, inicia-se uma nova fase. Com direção de José Renato e elenco forte: Paulo José, Lima Duarte, Ari Toledo entre outros, este período ficou marcado como “a adaptação dos clássicos”, o Arena fez isso com a intenção de corrigir algumas deficiências da fase passada. As obras escolhidas para encenação, além de terem o valor artístico reconhecido mantinham um compromisso na batalha entre opressores e oprimidos. Pode-se dizer que esse período ficou conhecido também como o da “nacionalização dos clássicos”.
Em 1964 o teatro começou a sentir as conseqüências da alteração no rumo político do país. As encenações do Teatro Arena não são aceitas pelo novo regime. O conflito entre Estado e teatro surge, deixando a “arte sugestional” falar mais alto que o poder de mobilizar e informar. Para camuflar suas verdadeiras intenções, o Teatro Arena passa a usar metáforas e ironias como suas principais armas contra o poder que estava por vir.
O Teatro Arena esteve marcado por mudanças muito significativas para o teatro brasileiro. Traçando assim, parte do perfil cultural-artístico brasileiro.

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