Espaço Teatral Encontro Oportuno

O Teatro de Antonin Artaud
(por Ricardo Moraes)

Olá amigos! Inauguro este espaço falando com vocês sobre o Teatro da Crueldade, de Antonin Artaud. Nada se aplica melhor do que a linguagem Artaudiana em nossa sociedade, principalmente agora, nesses momentos de podridão.
Artaud, que nasceu em Marselha em 1896 e morreu em 1948, enquanto ator, diretor e teórico, criou um teatro que fugiu dos padrões dramáticos e avançou como uma arte revolucionária. Esse novo tipo de mostrar o que não devia ser mostrado, através de formas completamente fora dos padrões, amedrontou muita gente que, a princípio, o ridicularizou em suas palestras. Antonin fez em sua linguagem uma analogia do teatro com a peste, que matou muitos imigrantes italianos quando estes vieram de navio para cá. Imaginem amigos, essa peste hoje! Deixaria ainda mais podre a nossa sociedade. Será que isso é possível? Desculpem o meu pessimismo, mas é sim, enquanto dez criam; vinte querem destruir.
Artaud criou esse teatro tendo como base que o homem tem medo dele próprio e que, quando se vê nos outros como em um espelho, não consegue lidar com isso. O seu próprio medo aflora, o levando ao desespero. A melhor e mais fácil solução então qual é? Fugir, aliás, o que todos nós fazemos. No teatro da Crueldade, Artaud criou um método de busca para o ator, que foge aos padrões realistas e naturalistas das pesquisas teatrais. Isso mexia com o mais profundo sentimento do ator, trazendo à tona seus medos e dúvidas. Muitos desistiam. É que, além de trabalhar a fadiga corporal através de formas não convencionais, tirando do corpo o que ele mesmo desconhecia, trabalhava também a exploração mental e somente assim despertava o conhecimento. Acreditava que somente depois de passar por todo esse processo o ator começava a criar coisas verdadeiras, que vinham do seu íntimo e,
a partir daí, redirecionar a emoção conquistada, para dentro da cena proposta. Somente assim o ator poderia fugir de uma representação convencional, imposta no dia a dia pela sociedade.
Caros companheiros de encontro, levando isso tudo para o espetáculo em si e o relacionando com o público. temos como reação, a priori, o repúdio da platéia. Esta somente “quer” enxergar um monte de atores tendo surtos, mas no fundo estão vendo o seu íntimo. É isso que assusta tanto, o espelho, a podridão de cada um exposta enquanto estão sentados lado a lado sem sequer se conhecerem. É criada uma sensação de desconforto para quem está assistindo. O ator que mostra o âmago do ser humano no palco passou por um longo processo de pesquisa e executa, durante o espetáculo, um trabalho de expurgação, com total consciência e controle de seus movimentos. Como pode alguém que tem receio de se olhar chamar isso de surto ?
Para terminar o nosso papo, trago a vocês uma frase de uma das maiores obras de Antonin Artaud: O Teatro e seu Duplo, “...tudo o que há no amor, no crime, na guerra ou na loucura nos deve ser devolvido pelo teatro, se ele pretende reencontrar sua necessidade.”
Bem amigos, até o próximo encontro, um forte abraço!
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