Olá amigos! Inauguro
este espaço falando com vocês sobre o Teatro da Crueldade, de Antonin
Artaud. Nada se aplica melhor do que a linguagem Artaudiana em nossa sociedade,
principalmente agora, nesses momentos de podridão.
Artaud, que nasceu em Marselha em 1896 e morreu em 1948, enquanto ator, diretor
e teórico, criou um teatro que fugiu dos padrões dramáticos
e avançou como uma arte revolucionária. Esse novo tipo de mostrar
o que não devia ser mostrado, através de formas completamente
fora dos padrões, amedrontou muita gente que, a princípio, o ridicularizou
em suas palestras. Antonin fez em sua linguagem uma analogia do teatro com a
peste, que matou muitos imigrantes italianos quando estes vieram de navio para
cá. Imaginem amigos, essa peste hoje! Deixaria ainda mais podre a nossa
sociedade. Será que isso é possível? Desculpem o meu pessimismo,
mas é sim, enquanto dez criam; vinte querem destruir.
Artaud criou esse teatro tendo como base que o homem tem medo dele próprio
e que, quando se vê nos outros como em um espelho, não consegue
lidar com isso. O seu próprio medo aflora, o levando ao desespero. A
melhor e mais fácil solução então qual é?
Fugir, aliás, o que todos nós fazemos. No teatro da Crueldade,
Artaud criou um método de busca para o ator, que foge aos padrões
realistas e naturalistas das pesquisas teatrais. Isso mexia com o mais profundo
sentimento do ator, trazendo à tona seus medos e dúvidas. Muitos
desistiam. É que, além de trabalhar a fadiga corporal através
de formas não convencionais, tirando do corpo o que ele mesmo desconhecia,
trabalhava também a exploração mental e somente assim despertava
o conhecimento. Acreditava que somente depois de passar por todo esse processo
o ator começava a criar coisas verdadeiras, que vinham do seu íntimo
e,
a partir daí, redirecionar a emoção conquistada, para dentro
da cena proposta. Somente assim o ator poderia fugir de uma representação
convencional, imposta no dia a dia pela sociedade.
Caros companheiros de encontro, levando isso tudo para o espetáculo em
si e o relacionando com o público. temos como reação, a
priori, o repúdio da platéia. Esta somente “quer”
enxergar um monte de atores tendo surtos, mas no fundo estão vendo o
seu íntimo. É isso que assusta tanto, o espelho, a podridão
de cada um exposta enquanto estão sentados lado a lado sem sequer se
conhecerem. É criada uma sensação de desconforto para quem
está assistindo. O ator que mostra o âmago do ser humano no palco
passou por um longo processo de pesquisa e executa, durante o espetáculo,
um trabalho de expurgação, com total consciência e controle
de seus movimentos. Como pode alguém que tem receio de se olhar chamar
isso de surto ?
Para terminar o nosso papo, trago a vocês uma frase de uma das maiores
obras de Antonin Artaud: O Teatro e seu Duplo, “...tudo o que há
no amor, no crime, na guerra ou na loucura nos deve ser devolvido pelo teatro,
se ele pretende reencontrar sua necessidade.”
Bem amigos, até o próximo encontro, um forte abraço!
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